Pela madrugada senti tremores que sacudiam todo o meu ser, talvez efeito da febre que me tomara de assalto naquela noite. O raciocínio lógico já comprometido dava lugar a pensamentos cronologicamente organizados pelos sentimentos mais profundos do meu âmago.
Em nenhum momento a realidade me fugiu, em todos os minutos dos meus dias sua presença pairava nos lugares por onde passava. Eu sabia ali que não adiantaria fugir, não poderia encontrar um lugar onde pudesse estar só, a sua presença estava em mim. Por onde quer que eu fosse, até quando senti esvair diante dos meus olhos todo o sopro de vida que pulsava em meu ser.
Naquela tarde, não consegui perceber a estrada. O nervosismo me impediu de avaliar melhor o que poderia ser feito, só me restou segurar aquele volante como quem se agarra aos últimos suspiros de vida. Foram os 300 metros mais longos da minha existência, o carro bateu numa árvore e descontrolado continuou um frenético zig-zag até girar na pista, bater em outro veículo e parar fora da estrada depois de cruzar a contramão, havia lutado com forças que não sabia que possuía, a quem presenciara o ocorrido jurava que fui um artista em sobreviver sem danos.
Não me considerei um artista, não foram por minhas forças que resisti. A única energia que pôde sustentar-me foi a tua, com os mais felizes sentimentos em mim.
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